População reclama do atendimento médico em Santa Rita, na Paraíba

Do G1 PB

Com profissionais em greve e unidades de saúde sem estrutura e material de trabalho, os moradores do município de Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa, estão enfrentando graves dificuldades para conseguir atendimento de saúde na rede pública. Os usuários reclamam da falta de profissionais, de medicamentos, de vacina e relatam descaso. Em entrevista à TV Cabo Branco, usuários dos serviços de saúde e profissionais falaram sobre a situação no município. 

Uma das Unidades de Saúde da Família administrados pela prefeitura da cidade, está sendo usado como residência por algumas famílias, pois, segundo os moradores, o posto estava abandonado. “Quando ele funcionava eu vim para o dentista, hoje é a minha casa", contou Marcilene Rocha, moradora do PSF Marcos Moura II.

Já o PSF Odon leite, no bairro to Tibiri, está sem médico há cinco meses, segundo afirmou o vigilante do local, Francisco Trajano. "De vez em quando vem uma técnica em enfermagem aqui, mas não tem como atender porque não tem material e nem dá para vacinar, a geladeira está quebrada" disse ele.

Os servidores públicos da saúde do município de Santa Rita decidiram entrar em greve por tempo indeterminado desde o dia (17).

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Santa Rita (Sinfesa), José Farias, a categoria reivindica a volta de uma gratificação que foi cortada pela prefeitura; o reajuste salarial; a promulgação do Plano de Cargo, Carreira e Remuneração (PCCR) da categoria; o salário mínimo do mês de maio, que estaria atrasado; e também por melhores condições de trabalho. Segundo o sindicato, os servidores já tentaram negociar com a Prefeitura Municipal de Santa Rita, mas nenhum acordo foi fechado..

Segundo Maria Lúcia, que aguardava atendimento na fila do Centro de Saúde Padre Malagrida, há mais de um mês está em busca de atendimento e uma prescrição, mas lhe informam que no local não é possível fazer este serviço. "E nos PSFs não encontro médicos", frisou.  No mesmo posto, outras pessoas reclamavam por melhorias no atendimento.

O diretor do Centro, João Batista, explicou ter acontecido uma paralisação há sete dias por falta de pagamento, mas, segundo ele, o pagamento foi normalizado e o atendimento no posto está acontecendo normalmente.

A secrteária de Saúde do município,  Ana Carla Pimentel, que ocupa há menos de um mês, disse estar trabalhando a curto, médio e longo prazo. “Há algumas unidades que em uma semana vão estar funcionando completamente. Outras vão demorar um pouco mais, pois têm necessidades de serviço mais intensos. E outras vão ser relocadas para locais que realmente possam atender com qualidade a população", explicou a secretária. Ainda segundo ela, as equipes da Estratégia de Saúde da Família são completas e dentro de 30 dias tudo vai ser regularizado, inclusive com a presença dos médicos.

Enquanto isso, na unidade do Marcos Moura II, a equipe da TV Cabo Branco flagrou famílias residindo no local. "Eu já eu trouxe meus filhos para vacinar. Agora ela se tornou a minha casa. Nós procuramos um posto médico e não tem”, disse Marcilene Rocha, moradora do local. Ainda no posto, outros moradores relataram que a unidade estava abandonada, e servia inclusive, como ponto para uso de drogas.

Já no Jardim Europa, o agente de saúde Antônio Neto comentou que o local não tem atendimento de médico há cerca de três meses “O médico não estava recebendo o salário e saiu", comentou. Ainda na cidade, desta vez, no Loteamento  Boa Vista, há uma Unidade Básica de Saúde fechada.

Das 39 Unidades de Saúde da Família de Santa Rita, 13 estão inteditadas pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PB) e nove estão sem médicos. Além disso faltam medicamentos e os profissionais saíram do município porque estavam sem receber. O município possui 16 médicos concursados, mas segundo eles, o prefeito cortou as gratificações do SUS que correspondem a maior parte do salário.

Santa Rita é a terceira maior cidade do estado e tem o 4º melhor PIB (Produto Interno Bruto) que é um indicador de crescimento econômico. Depois de João Pessoa e Campina Grande, Santa Rita é a terceira cidade que mais recebe recursos do Fundo de Participação do Municípios (FPM). Segundo dados da Secretaria de Tesouro Nacional, a estimativa de repasse de verba para o município neste ano é de quase R$ 38 milhões.

O cabaré com G1

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