Diamantes



Carta número 4


É verdade, há uma possibilidade do que sinto acabar. Aquela noite quando eu só fiz bobagem, e aquele dia que você disse estar tudo perfeito acabaram. Mas se um desejo me absorve, desejo de ver o nosso fim apenas através da morte. Não sei. Não conheço minha morte. Não vejo eternidade alguma nas coisas. Sempre começamos outra vez. Seguimos juntos e avante.


O que sinto nunca mudará. O amor existe ou não existe. O que muda é modo como ele reage ao tempo e as novas velhas situações no ambiente. Eu que posso ouvir tua voz, misturar-me no teu corpo, sonhar o meu sonho no teu, seguir meu caminho quase sempre bem cruzado com tua vida. Minha alegria de lutar contigo.


Por que pensamos tanto? Todo pensamento traz um julgamento, uma dúvida. Mas também uma sombra forte de esclarecimento, ou uma noite longa de confusão. Pense. Havia um medo dentro de mim, quando tive coragem de te pedir uma chance. E mesmo depois desse bom período de convivência esse medo continua. Não sei se é medo de amar ou de sofrer, só sei que há um ponto onde os dois são iguais.


É tão conveniente me render ao teu encanto e participar das mesmas perguntas enciumadas que tens. E sobre o nosso futuro vejo apenas momentos fragmentados de emoções, planos, castelos e ruínas. O grande mostro vem do passado , e do passado vem todo o preconceito que pode ser vencido. O que te fez pensar que eu queria apenas curtir, é parte do que me fez cismar ser apenas alguém aliviando tua decepção antiga.


Tua fuga seria um punhal caminhando para o meu peito. Sei que pareço ter saído ileso de minhas relações anterior. Quem poderia ser capaz de ver meu desprezo festivo pela vida? Quem viu o ensinamento de tuas lagrimas de abandono? Por quem é Deus esta quarta carta venceu o impulso que tive de rasga-lá, queima-lá, sacrifica - lá, escreve-lá....

Andre Vitor


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