Violência nas Escolas





Uma escola da zona leste da cidade de São Paulo foi depredada. Os alunos trancaram os professores e quebraram tudo. A diretora desmaiou e várias crianças ficaram desesperadas com a briga dos alunos mais velhos. As coisas só não pioraram por causa da intervenção da polícia militar, que agrediu e foi agredida. Isso ocorreu ontem, dia 12 de novembro. Dia 13 de novembro, hoje, uma multidão tentou invadir a escola. Eram pais – isso é o que diziam.

Não se trata de “vandalismo” ou “violência na escola”. Não cabem aqui tais termos. Sabemos que a situação da escola pública está ruim, mas até então não tínhamos tido um caso desses, típico de atos de gang organizada. Tudo que ocorreu, e que pode ocorrer em qualquer lugar do Brasil na escola pública de hoje, não pode mais ser jogado nas costas de pais, alunos, professores, diretores e “comunidade”. É necessário termos uma visão com um instrumental da filosofia. E a filosofia diz claramente que o leque de relações que detonam uma situação desse tipo tem a ver com o poder. Tem a ver com o poder político. O que ocorre é que a escola pública brasileira está sem projeto, sem política, sem salário, sem cuidado, sem importância.

Falta para o jovem que está na escola projetos que visem dar ele “um lugar ao sol”, que o destaquem e o promovam.

O governador José Serra, de São Paulo, que deseja ser presidente da República, teria que ter um projeto educacional melhor. Não se pode ser candidato à presidência para repetir Lula, que não tem projeto nenhum na área educacional. A secretária de educação de São Paulo, a socióloga conservadora Maria Helena de Castro, que tanto gosta de estatísticas, deveria perceber que a estatística sobre violência de alunos contra professores é absurda: mais de 80% dos professores já sofreram alguma agressão física, na escola, ao longo da carreira. E ela, secretária de Serra, não pode ser uma cotada para ministra da Educação do governador, no futuro, pois sua ação é de descaso para com o ambiente escolar público. Da maneira como ela age, vai apenas repetir as mentiras do atual ministro Fernando Haddad. São os conservadores agindo como os progressistas e vice versa.

Aliás, Fernando Haddad tem um defeito grave no seu currículo. Ou melhor, dois defeitos. Um primeiro é que ele todo dia tem uma idéia nova, ideológica, para colocar na imprensa, mas não realiza nenhuma. Um segundo é que ele é um estranho para a escola pública e ela é ainda mais estranha para ele. Seus filhos não fazem escola pública e ele não confessou que isso é devido a escola pública ser ruim, ele quis passar a idéia de que isso foi uma opção familiar, pois ele próprio não fez a escola pública e então optou pelo mesmo para os filhos. Ora, de fato, ele nunca pisou numa escola pública antes de ser ministro. Não sabe o que é. Esse é o defeito de nossos governantes. O presidente Lula nunca pisou na escola, de fato, porque é desescolarizado; e o ministro dele nunca pisou na escola pública porque sempre foi rico demais. Então, quando há o caos na escola pública eles realmente não têm nada a dizer. A violência na escola e a deterioração do ensino não são preocupações deles, pois não faz parte da vida deles a vida escolar estatal.

Assim, ricos demais e desescolarizados demais se unem no governo Lula – e eis que a educação vai para caos. No plano estadual, José Serra nomeia uma secretária fraca, que só fala em estatísticas, quase igual a Haddad. Mas a real atenção dela, para com a escola pública, não existe; pois é bem no nariz da secretaria de educação que o vandalismo ocorreu. Bem na cidade de São Paulo, em uma escola pública de grande porte. Talvez tenhamos de assistir, ainda por cima, como medida do estado sobre o caso, alguma punição sobre a diretora e professores, e não o carinho, a atenção e a melhoria de salários. Acompanhem e verão!
Tudo isso já vinha se refletindo, na semana passada, na Fuvest: caiu em 58% a procura dos cursos de licenciatura e pedagogia. Os jovens não querem mais ser professores. Isso ocorreu dois anos depois do ministro Fernando Haddad ter declarado que a prioridade dele era a geração de professores, a melhoria da carreira do magistério e, principalmente, o aumento do número de professores formados pelas universidades públicas e pelas particulares de bom nível. O número da Fuvest mostra o fracasso do ministro.

Mas o ministro tem mais falas fáceis: vem anunciando que o orçamento do MEC para o ano que vem será “o maior da história”. Tudo nesse governo Lula é o maior da história! Vai ser triste ver que com o orçamento “maior da história”, ao terminar sua gestão, Fernando Haddad irá obter o prêmio de ter sido o ministro que mais começou projetos e o que não terminou nenhum e nem deu seqüência honesta a algum. Fernando Haddad gosta da mídia. Tudo indica que ele aprendeu o caminho do Paulo Renato, o ex-ministro da Educação: um cargo de deputado dá um salário melhor do que professor da USP e, além disso, não tem que ficar obedecendo seus ex-orientadores lá no departamento de sociologia – que são loucos para mandar nele. E mandam!

Assim, aí está o quadro que o PT e o PSDB constroem para nossa educação. Eles não têm nada a dizer para a juventude e para os professores e diretores. Nada! Sobrou tudo para nós, os cidadãos. Vamos ter de trabalhar sozinhos. Talvez seja melhor. Antes só que mal acompanhados, não é?

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo http://ghiraldelli.ning.com

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