
Azur et Asmar - Michel Ocelot
Falar desse filme é um prazer pra mim. Não o assisti no projeto Cine Escola Metrópolis. Paguei entrada e sentei no meu lugar de direito, como todo bom cidadão. E me surpreendi.
No começo da sessão, que saco: cadê as legendas? Detesto filme dublado. Mas tudo tem um porquê. Se tivesse perdido tempo lendo legendas, teria perdido cada detalhe da preciosidade que é o longa. É iniciado com uma cena de uma pureza inigualável, uma mulher dando o seio para seu bebê mamar. Um seio? Um seio numa animação? Que absurdo! Foi isso que gostei. De cara o filme quebra com os preconceitos ridículos e os falsos moralismo que comumente vemos em desenhos da Disney, ou da Dreamworks.

A história é simples: dois meninos que foram criados pela mesma mulher, são separados quando crianças e crescem educados com valores diferentes. A mulher é mãe de um dos meninos e ama do outro. Ela e seu filho são expulsos da casa de seu senhorio por “incitar mau comportamento” no outro garoto. Mas o que o senhorio não sabia é que essa ama criou na imaginação dos guris uma lenda, a da Fada dos Djins, que estaria aprisionada e se casaria com quem a libertasse. Então os garotos, mesmo estando longe, cresceram com a idéia fixa de achar a Fada dos Djins e libertá-la.

Azur, filho do senhorio, cresce e sai de casa para a sua aventura. Pára em um país estranho, o país de sua ama (não revelado no filme) e encontra um guia totalmente maluco para orientá-lo. Depois de inúmeras trapalhadas, Azur encontra sua ama e descobre que ela é agora a mulher mais rica da cidade e seu filho, Asmar, está se preparando para a jornada até a Fada dos Djins. A ama financia a viagem dos dois, que passam de inimigos a aliados.
Sim. No longa não existe o herói egoísta, aquele que tudo vence e leva o troféu no final. Azur e Asmar dividem ois méritos e os erros na busca pela fada e quando encontram-na, nem sabem que é o vencedor. Nesse caso, o vencedor foi o companheirismo. O filme é uma boa referência para as crianças, acostumadas com Super-Homens e Batmans poderosos e inabaláveis. Os protagonistas desta animação sangram, desmaiam, quase morrem, brigam e toleram-se, viram parte de uma máquina que não funciona sem ambas as peças. É bonito de se ver.

Falando em beleza, grande reverência para os efeito visuais do filme. Cores magníficas, que alimentam os olhos, detalhes, mínimos detalhes nos desenhos, na arquitetura das construções, no apego à perfeição de formas e símbolos. Por isso disse que a dublagem tinha um porquê. Seria injusto perder essas preciosidades para ler uma legendinha.
Se você tem filhos, alugue a animação para eles; vai ser um dos 3 reais mais bem gastos do momento. Mas se você é solteiro, sem filhos e é uma criança grande como eu, alugue também. O filme é deliciosamente bom, um banquete para os olhos
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