Maranhão nomeia para secretariado advogados que o ajudaram a cassar tucano


FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em João Pessoa

O novo governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB), empossou nesta quinta-feira parte do seu secretariado e nomeou entre seus principais auxiliares pessoas que se envolveram diretamente no processo de cassação do mandato do seu antecessor, Cássio Cunha Lima (PSDB).

Maranhão escolheu ainda uma prima de segundo grau, Liliane Targino Belmont de Araujo, como secretária particular, e nomeou como secretária de Comunicação Lena Guimarães, editora-geral do "Correio da Paraíba", jornal pertencente ao seu suplente no Senado, Roberto Cavalcanti (PRB).

Os advogados José Ricardo Porto e Roosevelt Vita, que atuaram no processo de cassação do tucano, assumiram, respectivamente, a chefia da Casa Civil e a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária.

Vita também esteve ao lado dos policiais civis contra o governo Cunha Lima na greve deflagrada no mês passado por melhores salários. Ele conseguiu na Justiça a garantia de pagamento dos dias parados.

Dos 20 nomes anunciados para as secretarias, seis já integraram administrações passadas de Maranhão, que comandou o Estado por duas vezes.

Em discurso na sessão de posse dos secretários, Maranhão disse que foi obrigado a antecipar a escolha do secretariado em quatro dias porque Cunha Lima exonerou até a cúpula das polícias Civil e Militar assim que soube da cassação do seu mandato pela Justiça.

"O ex-inquilino resolveu, em ato de insensatez, demitir todos os comandantes das polícias às vésperas do Carnaval", afirmou o governador. "Trabalhei até as 2h30 para evitar que eles acabassem com o que havia restado do Estado", declarou.

O peemedebista disse que a greve na polícia "foi mais uma herança" recebida da administração passada. Em seguida, anunciou que abriria negociações com a categoria e que o movimento seria suspenso.

"Não é dizendo que o governo é novo, bonito e cheiroso que eu vou impor confiança à população", afirmou Maranhão. "Aliás, eu não sou novo nem bonito nem charmoso, mas não tenho coragem de atirar nem de bater em ninguém. Tenho coragem de trabalhar."

Sobre a decisão de escolher ex-secretários para ocupar os mesmos cargos no governo, o ex-senador disse que "se soubesse que eles não eram capazes não teria repetido a dose".

Por telefone, a nova secretária particular do governador confirmou que sua mãe é prima do peemedebista. "Somos parentes muito distantes", declarou. Ela disse que trabalhava como assessora parlamentar de Maranhão no Senado e que sua função era cuidar do escritório dele na Paraíba.

Já a secretária de Comunicação afirmou que o convite para o cargo foi feito diretamente pelo governador. Ela afirmou desconhecer eventual interferência do suplente do ex-senador na sua indicação.

Procurado ontem pela Folha, Cunha Lima não foi encontrado para comentar as declarações de Maranhão. Seus advogados ainda tentam na Justiça reverter a cassação.

A Secretária de Comunicação anunciou que Maranhão assinou decreto exonerando todos os servidores em cargos comissionados do governo Cunha Lima _número que ainda está sendo contabilizado.

Colaborou CÍNTIA ACAYABA, da Agência Folha


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