
Em articulação que entrou pela madrugada desta quarta (11), a cúpula do DEM pôs-se a cabalar votos para ACM Neto (BA).
Ex-líder dos ‘demos’ na Câmara, ACM Neto foi compelido pelo partido a aceitar a “candidatura” à segunda vice-presidência da Câmara.
Vai substituir o colega Edmar Moreira (DEM-MG), o deputado do castelo. Aquele que, soterrado por denúncias de malfeitorias, teve de renunciar ao posto.
O nome de ACM Neto vai a voto, no plenário da Câmara, no início da tarde desta quarta (11). Imaginou-se que seria candidato único.
Na noite desta terça, porém, o deputado Manato (PDT-ES) registrou-se como candidato avulso.
Antes mesmo da entrada de Manato em cena, deputados dos oposicionistas PPS e PSOL haviam deflagrado um movimento pelo voto em branco.
Há na Câmara 513 deputados. Para chegar à Mesa diretora da Casa, ACM Neto precisa amealhar pelo menos 271 votos.
A hipótese uma derrota do ex-líder do DEM é praticamente nula. Mas a cúpula do partido receia pelo vexame de uma votação miúda.
Daí a mobilização que entrou pela madrugada. Em movimento capitaneado pelo líder Ronaldo Caiado (DEM-GO), os ‘demos’ cobraram a fidelidade do “blocão”.
Blocão é o apelido dado ao consórcio de 14 partidos que alçou Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara.
Reniu legendas tão díspares quanto o DEM e o PT. Dominou a partilha pelos cargos da Mesa diretora da Câmara.
O grupo se desfez na semana passada, depois de encerrada a disputa pelo comando da Câmara.
Mas a renúncia de Edmar Moreira impôs a escolha de um novo segundo vice-presidente. E o DEM, dono da vaga, cobra a solidariedade dos partidos do ex-blocão.
Os ‘demos’ fixaram-se no nome de ACM Neto numa reunião com Michel Temer, na noite de segunda (9).
O encontro ocorreu num local inusitado: a casa da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), no Lago Sul, bairro chique de Brasília.
Roseana convidara Temer para um jantar com o pai dela, José Sarney (leia texto abaixo). E acabou tendo de dividir o repasto com a cúpula do DEM.
Foram à casa da filha de Sarney o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), o líder Caiado e o próprio ACM Neto.
Lero vai, lero vem verificou-se que o nome de Vic Pires (PA), primeira opção do DEM para a segunda vice-presidência, corria o risco de ser rejeitado pelo plenário.
Num instante em que Roseana mandara servir o bobó de camarão, prato de resistência da noite, a tribo ‘demo’ já se havia fixado no nome de ACM Neto.
O deputado fez doce. Simulou resistência. Antes que fosse servida a sobremesa, os ‘demos’ arrancaram de Temer um compromisso.
Exigiram que fosse mandada às urtigas a idéia de retirar do organograma da segunda vice-presidência a Corregedoria da Câmara.
Temer assentiu de pronto. No auge do escândalo do castelo, o presidente da Câmara flertara com a idéia de criar uma Corregedoria autônoma.
Chegou mesmo a estimular o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) a apresentar um projeto nesse sentido. Diante da oposição do DEM, Temer deu meia-volta.
Fala agora em constituir uma comissão para analisar o tema. Diz, de resto, que eventuais mudanças só valerão para a próxima legislatura.
Na manhã desta terça, depois de auscultar a bancada 'demo', Caiado demoveu as “resistências” de ACM Neto.
O neto do ex-todo-poderoso senador Antonio Carlos Magalhães topou submeter o seu nome à apreciação do plenário.
Resta agora saber se a articulação feita pelo DEM na noite passada conseguirá livrar a dinastia ACM do fiasco de uma vitória de Pirro.
blog do josias
0 comentários:
Postar um comentário