Prodígio de 13 anos começa na universidade no Paraná

DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba

Atualizado às 22h07.

Acompanhado o tempo todo da mãe, o estudante Guilherme Cardoso, 13, fez nesta segunda-feira sua estreia como o mais jovem aluno da história da UFPR (Universidade Federal do Paraná), que incluiu até o recebimento de um troféu pela façanha. Aprovado em primeiro lugar no vestibular para química de 2008, ele assistiu a uma palestra para calouros do curso, em Curitiba.

Com medo de ser alvo de trotes, Guilherme chegou cedo ao campus, com duas horas de antecedência. A mãe, a dona-de-casa Edna Cardoso, 44, ficou sentada ao lado dele durante a palestra inaugural do curso, em um auditório. Ela continuará junto com o filho na universidade nos primeiros dias de aula, até que ele possa se habituar ao itinerário dos ônibus que levam à UFPR. A viagem desde a periferia de Curitiba, onde a família do estudante mora, dura cerca de uma hora.

Filho de um motorista e uma dona-de-casa, o jovem, que aprendeu a ler aos dois anos de idade e concluiu a sexta série do ensino fundamental em uma semana, disse que temia agressões por parte de colegas veteranos do curso. "Não gostaria que passassem óleo de cozinha em mim. Nem quero ficar pedindo pedágio na rua", afirmou o adolescente à Folha.

Alguns veteranos, antes do início da palestra, tentaram tranquilizá-lo, dizendo que nada havia sido programado para recepcionar os iniciantes. Hoje, não houve trotes no departamento. Outros colegas vieram dar os parabéns ao saberem que ele conseguiu chegar à universidade tão cedo.

Na aula de estreia de hoje, os calouros receberam a notícia de que iriam participar de uma gincana durante esta semana. Será uma forma de entrosamento da turma e com o curso. Mas Guilherme disse que não vai. "Não estou com vontade. Estou aqui para estudar."

Ao final da palestra, o garoto recebeu da equipe de um site dedicado a recordes um certificado e um troféu como o mais jovem estudante de universidades federais do país. Na saída, o adolescente disse que estava mais calmo do que quando havia chegado. "Foi bom. Saí tranquilo", afirmou o garoto. Ele disse que não terá problemas para se adaptar à turma, composta em média por alunos cinco anos mais velhos.

"O Guilherme sempre teve amizades com pessoas de mais idade. Na escola sempre foi assim", disse a mãe do garoto. Segundo ela, os alunos que foram seus colegas na conclusão do ensino médio, no ano passado, e que tinham entre 17 e 18 anos, também já se preparavam para ingressar na universidade. Por isso, há a expectativa dele de que o contato com outros alunos continue a ser o mesmo.

O jovem quer se formar para trabalhar como professor de química. "Gosto de lecionar e ensinar os outros. Sempre tive vontade de fazer isso", disse o fã de videogame da série Mario Bros. Outro sonho do menino é buscar apoio de uma editora para concluir um livro didático sobre química. Ele está preparando a obra sozinho.


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