No 50º aniversário do ETA, fundador do grupo repudia atentados


da Folha Online
da Efe, em Bogotá

Julen Madariaga, um dos fundadores do movimento separatista basco ETA, criticou os dois ataques ocorridos nas últimas 48 horas na Espanha. Ambos foram atribuídos pelo governo ao grupo, cuja fundação completa 50 anos nesta sexta-feira.

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Em entrevista à rádio colombiana La W, Madariaga disse "desaprovar totalmente" as ações. Nesta quarta-feira (29), em Burgos, um carro explodiu ao lado de um prédio da Guarda Civil que abrigava quase 120 pessoas, das quais 41 eram crianças. Cerca de 60 pessoas ficaram feridas. Nesta quinta (30), outro ataque a bomba, agora contra um carro da Guarda Civil da localidade de Palmanova, na turística ilha de Mallorca, matou dois guardas.

"Me sinto mal diante de episódios como esses. Faz muito tempo que ando militando para que as partes se encontrem", disse. Madariaga afirmou, na entrevista, que começou a divergir da direção do ETA nos anos 80, devido aos ataques "indiscriminados" com carros-bomba. Ele diz que esse tipo de ataque "não tem alma, olhos, orelhas".

Em seus 40 anos de atividade violenta (o primeiro assassinato atribuído ao grupo data de 1968), o ETA, criada no dia 31 de julho de 1959, já matou quase mil pessoas, em sua luta pela independência do País Basco.

Investigações

O Ministério do Interior espanhol divulgou nesta sexta-feira fotografias de seis pessoas suspeitas de integrar o ETA, mas não confirmou se elas poderiam estar envolvidas nas últimas ações. Segundo os jornais espanhóis "El Mundo" e "El País", investigadores já confirmaram a identificação de dois suspeitos do último ataque, que matou os guardas.

Devido à suposta identificação de dois suspeitos e à crença de que os responsáveis pela ação continuam na ilha de Mallorca, os policiais continuam sob alerta. As principais saídas da ilha --o aeroporto, que é o terceiro maior do país, o aeródromo de Son Bonet e os três portos-- operam de maneira restrita. Os barcos, por exemplo, precisam de autorização para zarpar.

O representante do Ministério do Interior em Mallorca, Ramon Socías, disse à imprensa que a polícia "continua trabalhando com a hipótese de que os terroristas ainda não abandonaram a ilha e se esconderam em um imóvel esperando a situação se acalmar um pouco para que possam sair". A detonação dos explosivos teria ocorrido a distância.

"Os terroristas já mostraram que são capazes de agir em qualquer lugar. Ontem aconteceu aqui e, por isso, temos que ficar alertas para garantir a segurança dos que vivem aqui e dos que escolhem a ilha como destino de férias", disse.

Foi a primeira vez em que o ETA conseguiu provocar mortes na ilha mediterrânea, um dos principais destinos turísticos da Espanha e que recebe anualmente dezenas de milhares de visitantes de toda a Europa. Palma de Mallorca é também o lugar eleito pela família real nas férias de verão, habitualmente no mês de agosto, no Palácio de Marivent.


Efe
Fotos de supostos integrantes do ETA distribuídas pelo Ministério de Interior da Espanha após dois atentados
Fotos de supostos integrantes do ETA distribuídas pelo Ministério de Interior da Espanha após dois atentados

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