GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O PSDB decidiu impor 12 condições para definir o candidato que terá o apoio da legenda nas eleições para a presidência do Senado, dia 2 de fevereiro. A bancada dos tucanos pretende definir ainda nesta quarta-feira se vai aderir à candidatura de José Sarney (PMDB-AP) ou Tião Viana (PT-AC), mas antes vai apresentar os 12 pedidos aos dois candidatos.
A disposição dos tucanos é migrar para aquele que atender integralmente os pedidos da legenda. Se não tiverem o apoio de Sarney nem de Tião, os tucanos prometem votar nulo na disputa pelo comando da Casa.
"Queremos um compromisso de honra com esses 12 pontos. Se algum dos dois candidatos se acha forte para minimizar o que pedimos, é só me dizer. Se algum candidato achar que tem votos suficientes sem o PSDB, pode nos comunicar que votamos nulo", disse o líder dos tucanos no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Em troca do apoio, os tucanos cobram a 1ª vice-presidência do Senado, a 4ª secretaria da Mesa Diretora e a presidência da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) --que ficaria sob o comando do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). A comissão também terá que priorizar a discussão da reforma tributária, com a relatoria da matéria nas mãos do senador Francisco Dornelles (PP-RJ). A ideia dos tucanos é indicar para a 1ª vice-presidência o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) e o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para a 4ª secretaria.
O PSDB também cobra a independência e a soberania do Congresso, o respeito às oposições, o compromisso do candidato de que vai manifestar-se contra a proposta de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além da rejeição de medidas provisórias que não atendam aos critérios de urgência e relevância.
Os tucanos ainda pedem o sistema de rodízio nas relatorias das MPs (medidas provisórias), de acordo com o tamanho dos partidos, e o compromisso do candidato para as reformas que podem ajudar a minimizar os efeitos da crise econômica internacional.
Outros pleitos do PSDB aos candidatos são democratizar a participação de senadores nos veículos de comunicação do Senado, transparência na gestão, não dificultar ou impedir a criação de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) --assim como apresentar propostas para reerguer a imagem da Casa e submeter os vetos presidenciais ao Congresso.
Sarney
Apesar do discurso de impor condições aos candidatos, nos bastidores os tucanos sinalizam que vão aderir à candidatura de Sarney. O PSDB quer conquistar o apoio dos peemedebistas desde já, com vistas à corrida pela presidência da República em 2010.
Além disso, a bancada do PSDB no Senado avalia que possui fortes divergências com o PT em nível nacional, o que dificulta o apoio a Tião. Nos bastidores, porém, caciques do partido trabalham pelo apoio ao petista, embora Virgílio esteja disposto a bancar a candidatura do peemedebista.
fonte : folha online
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