ichý começou a fotografar nos anos '60, após ter passado uma temporada na prisão por motivos políticos. Foi nesta altura que assumiu a sua marginalidade e negligenciou definitivamente o seu aspecto físico. Em coerência, a tudo na actividade de fotógrafo se tornou também marginal, desde o próprio equipamento rudimentar, construído com pedaços de sucata, até ao próprio acto de capturar as imagens, feito de modo furtivo, escondido, como um voyeur.

E o que fotografava ele? Mulheres. Perseguiu-as obsessivamente. Fez centenas de registos - chegou a impor a si próprio uma norma: 100 fotografias por dia. As modelos involuntárias do seu universo feminino eram mulheres apanhadas a passear na rua ou a tomar banhos de sol. Por vezes não se apercebiam disso; de outras vezes protestavam e zangavam-se; outras, deixavam-se fotografar com complacência. Rostos, bustos e pernas dominam os enquadramentos crus e espontâneos, revelando um erotismo sofisticado e surpreendente.
Dos numerosos negativos que fazia apenas revelava alguns - uma única cópia - e colava-os em cartões onde desenhava molduras e efeitos decorativos com lápis. Nódoas diversas, propositadas ou não, acrescentavam-lhe patine e um aspecto estranhamente melancólico. Todo este conjunto de fotografias acaba por expressar qualidades poéticas extraordinárias, facto a que não é estranha a formação artística de Tichý na Academia de Artes de Praga e a sua adesão ao Expressionismo, durante a sua juventude. E o que é ainda mais extraordinário é que as fez para si, para seu desfruto pessoal, como excluído e independente que sempre foi.


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