"Quem não deve não teme", diz José Maranhão


FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em João Pessoa

O novo governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB), 71, disse ontem que é inocente das acusações de crime eleitoral. Afirmou que já foi absolvido nas instâncias inferiores e que luta para que os recursos sejam julgados rapidamente. "Quem não deve não teme."

Em entrevista à Folha, concedida em sua casa em João Pessoa, disse que vai rever os projetos aprovados às pressas pela Assembleia Legislativa no final de 2008 e que priorizará a saúde e a segurança pública nos dois anos do seu mandato.

FOLHA - É legítimo assumir o governo nessas circunstâncias?
JOSÉ TARGINO MARANHÃO - A Justiça existe para restabelecer a verdade. A vida pública não pode ser regida pela lei da selva. O cidadão empenha recursos públicos, privados, pratica atos de corrupção e tem uma vitória entre aspas? Se a Justiça não interferir, certamente vamos para um processo de involução.

FOLHA - O que é possível fazer em dois anos de governo?
MARANHÃO - Entendo que posso fazer muito nos setores mais desorganizados, como a saúde pública. Os seis anos de mandato do meu adversário foram marcados por um desrespeito profundo à Constituição.

FOLHA - A saúde é sua prioridade?
MARANHÃO - A saúde e a segurança pública.

FOLHA - Já há um orçamento já aprovado e em andamento. Como adequá-lo às suas prioridades?
MARANHÃO - Nós vamos estudar o orçamento e pretendemos aprovar as mudanças que se façam necessárias.

FOLHA - Mas o sr. não tem maioria na Assembleia Legislativa.
MARANHÃO - Embora não tenha a maioria, nós acreditamos que os parlamentares da oposição, não todos, mas o necessário, apoiarão os projetos de interesse da sociedade.

FOLHA - Após a sentença anterior de cassação do governador Cássio Cunha Lima, a Assembleia aprovou às pressas projetos do governo do Estado, como a doação de um terreno para a construção da nova sede da Casa. O sr. pretende anular esse e outros projetos aprovados?
MARANHÃO - Nós vamos analisar esses projetos, que foram aprovados a toque de caixa com a nítida intenção de inviabilizar a nossa administração. Aquilo que não represente o interesse público vamos reexaminar, inclusive na Justiça.

FOLHA - O sr. vai realizar auditorias no governo?
MARANHÃO - Eu preciso conhecer a real situação do Estado e vou fazer essas auditorias sem nenhum tipo de preconceito nem intenção de perseguir, fazer caça às bruxas.

FOLHA - O sr. também responde processos na Justiça Eleitoral. Qual é a diferença deles para os de Cássio?
MARANHÃO - Tenho dois ou três processos, que já estão prescritos. Se tivessem a gravidade dos de Cássio teria acontecido comigo a mesma coisa que aconteceu com ele.

FOLHA - O sr. não é processado por compra de votos e abuso de poder político e econômico?
MARANHÃO - Que resultou em nada provado. Ele foi cassado na primeira instância e na segunda. Eu não fui. Foram alegações que ele fez, nós nos defendemos e fomos absolvidos.

FOLHA - O sr. espera que os recursos dos seus processos sejam julgados no seu mandato?
MARANHÃO - Sim. Estamos pedindo para ser julgados logo, porque quem não deve não teme. Isso é o princípio universal. Enquanto o meu adversário lutou a vida toda para não ser julgado, nós estamos lutando para que esses processos sejam julgados logo.

FOLHA - E sobre o seu rebanho de 28 mil bois sem valor?
MARANHÃO - Todo o meu patrimônio está explicado e declarado no imposto de renda. É a única coisa que eu tenho a dizer, mais nada além disso.

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