Cresce pressão internacional contra Mubarak em meio a megaprotesto

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O ditador do Egito, Hosni Mubarak, está sob pressão cada vez maior interna e externa nesta sexta-feira, dia em que dezenas de milhares de manifestantes fazem a Marcha da Partida e que a União Europeia inaugurou uma reunião de cúpula para tentar resolver a crise e pressionar por uma transição imediata.

Em sua chegada a Bruxelas, os dirigentes europeus pediram a Mubarak que evite novos episódios de violência durante esta sexta-feira como os vistos nos últimos dias e iniciar rapidamente uma transição política, depois de onze dias de intensos protestos --que, em saldos não oficiais, deixaram mais de 140 mortos e 1.500 feridos desde 25 de janeiro.

"Esperamos que as forças de segurança egípcias atuem de forma que assegurem manifestações livres e pacíficas nesta sexta decisiva", assinalou a chanceler alemã, Angela Merkel.

Mubarak perderá toda a "credibilidade que lhe resta aos olhos do mundo ocidental" se as manifestações resultarem em novos atos de violência, advertiu, por sua parte, o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Já a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, afirmou que é "absolutamente essencial" que o governo Mubarak inicie um diálogo com a oposição. "Nós estamos sendo muito claros em tudo o que afirmamos. O povo egípcio e o governo devem avançar juntos", disse.

Os opositores ao regime rejeitaram até o momento qualquer diálogo com o governo enquanto Mubarak permanecer no poder.

Milhares de egípcios devem participar nesta sexta-feira em protestos batizados de "Marcha da Partida", convocado para exigir a renúncia do ditador --que ofereceu permanecer no cargo até as eleições de setembro.

IMEDIATA

Já o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, exigiu nesta sexta-feira em Berlim que o processo de transição política no Egito seja iniciado de maneira imediata e que termine com a realização de eleições livres e justas.

"O processo [de mudança] deve começar imediatamente. Não há tempo a perder. Exijo que o regime no Egito escute a voz do povo. Esta exigência vale para todos os governos do mundo", declarou Ban, que se encontra em uma visita à Alemanha.

Em uma conferência sobre o papel de sua instituição na Universidade Humboldt, o secretário-geral da ONU pediu o "fim do conflito" e "um novo começo político" no país árabe.

Ahmed Ali/AP
Soldados egípcios observam manifestantes que pedem a queda de Mubarak, na praça Tahrir, no Cairo
Soldados egípcios observam manifestantes que pedem a queda de Mubarak, na praça Tahrir, no Cairo

Além disso, qualificou como "inaceitáveis" os ataques violentos dos últimos dias contra a imprensa internacional e as organizações de ajuda humanitária, e acrescentou que os direitos de reunião e expressão "são básicos".

Ban pediu aos manifestantes contrários ao presidente egípcio, Hosni Mubarak, e a seus partidários que se contenham para evitar novos surtos de violência como os registrados nos últimos dias.

Além disso, o secretário-geral das Nações Unidas mencionou outros problemas da agenda internacional em sua conferência, como a mudança climática, a fome no mundo e a proliferação das armas de destruição em massa.

O secretário-geral da ONU deve se reunir na tarde desta sexta-feira com o ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, para abordar a crise egípcia, entre outros assuntos.

O governo alemão anunciou que interrompeu as exportações de armas ao Egito e chamou o embaixador egípcio em Berlim para consultas após os "inaceitáveis" ataques dos últimos dias contra cidadãos alemães e jornalistas estrangeiros.

De acordo com as estatísticas oficiais, a Alemanha exporta armas ao Egito por um valor de 10 milhões a 40 milhões de euros ao ano.

MARCHA

Dezenas de milhares de egípcios participaram nesta sexta-feira da oração do meio-dia na praça Tahrir, no centro do Cairo, e logo depois pediram a queda de Mubarak.

"É um movimento egípcio. Todo mundo participou, tanto muçulmanos como cristãos, para exigir os direitos que lhes roubaram", declarou o imã que liderou a oração, identificado como Khaled al Marakbi pelos fiéis reunidos na praça.

A oração ocorreu sob os olhares atentos dos militares, mas de maneira pacífica após dois dias de violentos confrontos entre manifestantes da oposição e apoiadores de Mubarak, no poder há 30 anos.

O ritual, dirigido por um imame, foi seguido com grande fervor por manifestantes da oposição que estão chegando maciçamente ao local. Em seu sermão, o imame solicitou orações pelos mortos da revolta popular um pedido que foi seguido com lágrimas por muitos dos participantes do ato.

Tão logo acabou a cerimônia, as pessoas começaram a gritar "vá embora, vá embora já" para pedir a renúncia de Mubarak.

Estava prevista uma marcha da praça Tahrir até o Palácio Presidencial, mas até o momento não há notícias de movimentação.

O canal de TV Al Jazzera registra uma manifestação com milhares de egípcios também em Alexandria.

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