
Deuses. Esta palavra nos acompanha desde que o homem se tornou uma criatura racional ao buscar explicação para os fenômenos naturais e sobrenaturais. Tentando preencher estas lacunas, sentiu a necessidade de criar seres ilusórios portadores do conhecimento, amor, compaixão, sabedoria, justos, piedosos, vingadores e de corações puros. Alguns acreditavam que existia algo, um mundo muito além desse que conhecemos, que algo de muito grande e maravilhoso deveria ser o criador de tudo e de todas estas coisas e que tudo aquilo haveria de ter explicação. O homem é um animal sociável e espiritual, criou a arte e a religião ao mesmo tempo numa tentativa de encontrar valor na vida. Já que o mundo é perfeito e belo, tomou consciência de si mesmo e cria a filosofia, tentando por meio dela descobrir o véu que cerca este mundo. O homem prefere querer o nada a nada querer, afirmou o filosofo alemão Friedrich Nietzsche.
Onde está a verdade? Tentando buscar a verdade nós aprendemos a criar, imitando o mundo. Falamos do mundo como se estivéssemos de frente a uma obra de arte, diante da pintura vemos aquilo que queremos ver, pura “ilusão”. A arte é apenas sombra do mundo ilusório ou fragmentos de um mundo real. Pintamos a terra, as águas e os céus, somos os coloristas, depois de pintarmos não sabemos explicar o que pintamos. Buscamos explicações diante do espelho. O quadro fica suspenso e mórbido diante do espectador ao tentar explicar o que viu. Tentamos pensar e nos igualar ao pintor. Iimpossível, pois somos criaturas imperfeitas! Pode o nada criar o nada?O perfeito pode criar o imperfeito? Criaturas como nós nunca poderiam vir de seres sumamente perfeitos. Quando nos aproximamos do nada, deixamos de viver. “Conhece a ti mesmo”, pensou Platão.
O homem é sofredor por excelência. Ver o mundo aparente, como um daltônico. Através da arte o homem é capaz de livrar-se de seus tormentos. Cada um pinta conforme sua ilusão. Pintamos a nós mesmos um reflexo no espelho. Sinto inveja dos cegos, eles não conhecem o belo, só por meio do tato eles têm essa idéia. Eles não vêem o mundo das ilusões, mas o sentem. Nós não sentimos o mundo sensível e não conseguimos enxergar a verdade. Vemos a mentira de um mundo como num filme em preto e branco. O mundo é um painel em constante movimento, o pintor brinca com as cores pintando e repintando as dores do mundo, retrata o sofrimento e a angustia humana.
Edvard Munch que o diga: “desde quando nasci os anjos da angústia, da inquietação e da morte estavam ao meu lado [...], espreitavam-me quando ia dormir e me aterrorizavam com a morte, o inferno e condenação eterna. As vezes acordava de noite e olhava ao redor: estava no inferno?”. Na obra intitulada “o grito”, de 1893, Munch pinta os traços de uma figura, onde transmite toda angustia e o horror do ser humano, a pintura de águas azuis, a terra trabalhada com um marrom - avermelhado, o céu é laranja e o verde domina a paisagem. Mas o que atormenta aquela figura? Munche perde a mãe muito cedo e muito jovem não compreende o sentido de morte. O motivo primordial de todo o sofrimento humano, o que esta por traz dela é a questão.
O homem quando cria os mitos, tira a responsabilidade de si. Somos criaturas inferiores e a seu o ver o homem não é merecedor das belezas do mundo, não conseguindo compreender a si mesmo, o destrói. Matar e destruir é a missão humana na terra. Alguns poucos, por meio da filosofia e das artes, conseguiram descobrir o véu, tentaram provar quem ele é realmente de fato. Muitos foram perseguidos e outros enlouqueceram. O próprio Jesus Cristo pagou por isso, foi crucificado por que pregou o amor: “conheceis a verdade e a verdade vos libertara”. Perdoou a humanidade dizendo: “eles não sabem o que fazem”. Talvez a raça humana não estivesse preparada para tanto sacrifício ou não quisesse conhecer a verdade. Tiveram medo. Natural, já que somos animais.
Jason Moraes é Artista Plástico
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